quinta-feira, 8 de abril de 2010

Enquanto isso, na minha mente...




Tem um muro na minha cabeça. Um véu, uma paree, não sei. Mas há o maldito bloqueio. A parte de trás do meu crânio é um armário bagunçado. Entulhado até não poder mais de memórias, loucuras, ideias, sonhos... Tudo adormecido, entorpecido, empoeirado. Mais à frente há um vazio.
Silêncio. Incerteza. Grilos... Vácuo. Há um espaço interminável, uma sonolência profunda e, ainda sim, uma angústia enorme e crescente de desespero da produção improdutiva. Ela bate na porta que separa os dois cômodos, posterior cheio e anterior vazio. À chave ela está trancada.
A parece é maciça. E minhas ideias e minhas memórias não ouvem minha angústia porque dormem... Dormem um sono de remédio, espancadas por coisas mal resolvidas. Meu único consolo racional porém ingênuo é que não dormem o sono do alcóol ou da ignorância. Dormem forçadas pelas pílulas... Mas sem elas, tudo é caos.
A sala posterior, que dorme lotada, o armário, é a minha fonte de matéria-prima. A outra é a sala de produção, a fábrica, o estúdio, o escritório, o ateliê: vazia. Forçada a usar a própria sala, que é oca, a produção é infinitamente nula. Qualquer coisa vezes zero dá sempre zero. Para operar novamente, ela precisa da matéria do armário... Da minha matéria, meu espírito, meu ser, minha mente, da simbiose disso tudo.
Mas a porta está trancada.

Imagem por: ~aeternus81


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